"Nenhum poder, um pouco de saber, um pouco de sabedoria e o máximo de sabor possível."
Roland Barthes

17 de setembro de 2011

Quanto mais eu falo, menos de mim aparece.

Durante toda minha vida fui escrita em entrelinhas, evidenciadas por diferentes aspectos, com diferentes sentidos, conforme o gosto do leitor. Alguns elementos estão tão bem camuflados que nem os olhos mais obstinados e ardilosos conseguiram detectar. Então permanecem lá, emudecidos pela falta de percepção alheia.
Sou, confessadamente, simples e clara falta de objetividade. Sim, contraditória. Sempre. Aliás, neste mundo tudo é opaco. Não há clareza e tampouco simplicidade, ao passo que subjetividade tem um sentido demasiado abrangente, portanto incapaz de definir alguém.
Na esperança de domar esse silêncio selvagem que habita minha alma, minha carne e que comunica com um excesso nocivo – tendo em vista que ele é uma soma infindável de todos os dizeres – engendrei um mecanismo capcioso de medir e desmedir, refrear e desenfrear minhas palavras. Afinal, domesticá-lo foi o artifício que encontrei para encarcerar as verdades e inverdades que meu silêncio carrega acerca de mim mesma.

PS: Minhas entrelinhas são de pura blasfêmia contida em afáveis logorreias.

6 comentários:

Anônimo disse...

Milinha, meu amor. Seus textos estão cada vez melhores. Estou espantada!

Parabéns e não pare nunca de escrever, senão te bato.

Beijos;*

Sr. Reticente disse...

Que saudade do seu verbo!
Beijos!!

Karla disse...

Incrível! Seu texto é viciante... dá sempre vontade de ler até o fim, além de que a definição do seu eu lírico é fascinante! Parabéns!

Antônio Sozinho disse...

Adjetiva, você ultimamente...

Anônimo disse...

Olá!
Primeiro gostaria de agradecer a visita na minha página.
E preciso muito te parabenizar, escreves verdadeiramente bem!
Voltarei mais vezes.
Grande beijo da Macabéa

João Silva disse...

Incrível como me identifiquei do início ao fim.
Parabéns por transpor tão bem suas palavras, ao ponto de criar uma intimidade com o leitor!