Durante toda minha vida fui escrita em entrelinhas, evidenciadas por diferentes aspectos, com diferentes sentidos, conforme o gosto do leitor. Alguns elementos estão tão bem camuflados que nem os olhos mais obstinados e ardilosos conseguiram detectar. Então permanecem lá, emudecidos pela falta de percepção alheia.
Sou, confessadamente, simples e clara falta de objetividade. Sim, contraditória. Sempre. Aliás, neste mundo tudo é opaco. Não há clareza e tampouco simplicidade, ao passo que subjetividade tem um sentido demasiado abrangente, portanto incapaz de definir alguém.
Na esperança de domar esse silêncio selvagem que habita minha alma, minha carne e que comunica com um excesso nocivo – tendo em vista que ele é uma soma infindável de todos os dizeres – engendrei um mecanismo capcioso de medir e desmedir, refrear e desenfrear minhas palavras. Afinal, domesticá-lo foi o artifício que encontrei para encarcerar as verdades e inverdades que meu silêncio carrega acerca de mim mesma.
PS: Minhas entrelinhas são de pura blasfêmia contida em afáveis logorreias.