cultivo um amor subnutrido
sei de antemão que ele não vinga
é carente de afeto, apego, saudade e vitamina
não é à toa que, vez ou outra, cai de cama
febril, anêmico, desolado
cultivo um amor frágil da cabeça e fraco das pernas
esmorece à mais sutil intempérie
mas também não reclama, não chama,
não chora e não amola
é um amor para poucos
porque ele em si é muito pouco
não aceita ser dividido
não se multiplica nem por milagre
é um amor de barriga vazia e agenda cheia
tem uma fome atroz
fome de derrota, de tragédia, de drama
de copos defenestrados do sexto andar
fome que nunca sacia
coitado desse amor subnutrido,
que não ouso chamar de meu
deixo que seja sem dono
sem compromisso
assim não carrega o peso,
esse amor subnutrido,
o peso de girar o mundo por alguém,
de ser a felicidade e o martírio,
a agonia e o alívio,
o lívido e o libido
porque para o amor,
quando tratado como vira-lata de rua,
cão sem dono por nascimento,
não existem culpas ou culpados.
é só uma falta de expectativas,
de futuro, de abandono e de sofrer
falta de vitamina
Autômatos seres de carne e osso
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"A natureza interna do sujeito não tem que inquietar a mais ninguém, senão
a ele mesmo. E é esse o estopim da transformação."
Há, entretanto, casos em ...
Há 2 semanas