"Nenhum poder, um pouco de saber, um pouco de sabedoria e o máximo de sabor possível."
Roland Barthes

3 de maio de 2011

Ele

era uma criatura de poucas emendas
breve e sutil
principalmente breve
consigo carregava o necessário apenas
umas experimentações
uns arrependimentos
cigarros, quando dava sorte
e alguns conselhos
que quase sempre preferia não seguir
ainda assim levava-os, mesmo que no fundo da bagagem
não diferente de seu dono, era uma bagagem sem muitas amarras
leve e breve
breve, principalmente
servia-lhe pouco e por pouco tempo
logo que seu conteúdo perdia serventia
era substituída por outra no caminho
tudo nele era infalivelmente breve
exceto o coração
seu pulsar era dolorosamente perene

4 comentários:

Mariane Lobo disse...

"tudo nele era infalivelmente breve
exceto o coração
seu pulsar era dolorosamente perene"

Deliciosamente fascinante.

Sirlara disse...

Copiarei o trecho que a Mari gostou tamém:
"tudo nele era infalivelmente breve
exceto o coração
seu pulsar era dolorosamente perene"

Senti a 'mordida' aqui ;]


Beijo

João disse...

obrigado por me descrever.(:

Camila P. disse...

hahahaha de nada.
a pessoa pra quem de fato fiz esse poema nem se reconheceu em minhas palavras.
talvez eu tenha escolhido as palavras erradas.. ou então, simplesmente, não soube lê-lo (Ele - a pessoa) direito.